Igreja Batista

Boa Esperança

OS PARTICIPANTES DA MESA DO SENHOR

Fonte : Aníbal Pereira dos Reis - ex-sacerdote Católico Romano
Data : 24/10/2011

A Ceia do Senhor: Livre ou Restrita?
OS PARTICIPANTES DA MESA DO SENHOR
?deu aos discípulos?

?foram batizados?

Ram-se?e perseveravam na Doutrina dos Apóstolos?

?qualquer que comer do pão ou beber do cálice do Senhor indignamente será culpado do Corpo e do Sangue do Senhor? Porque quem come e bebe, come e bebe para sua própria condenação, se discernir há entre vós muitos fracos e enfermas, e muitos que dormem.


SE É DO SENHOR POR QUE NÃO SERIA DE TODOS OS FILHOS?



CONHECI UM CIDADÃO, o Poligônio Cordeiro que era um fera. Um outro, o Leão, palerma de levar, sem qualquer reação ou protesto, tabefes da mulher. Um outro ainda, o Franco, tão hipócrita quanto ao mais refinado fariseu. O Dulçor, todavia, honra seu nome. Dulçor é um docinho. Fofinho de delicadeza e maciez. De olhar terno. Brando nos gestos. Suavizo na voz em sussurro. Em tudo ?coluna -do - meio? porque sem se definir quer agradar a todas. Sempre perfumado e de penteado. Meiguinho jamais protesta. Só se arrepia à palavra mais brusca do se interlocutor. Na verdade, o Dulçor, maciozinho, é o protótipo vivo do evangélico amaciado, assetinado, no seu acomodamento ecumenista. Sob a palavra do amor abriga sua tergiversação e consciência maleável.

Em nome do amor universal o nosso amigo Dulçor é pela ceia ampla, indiscriminada, livre, aberta a todos os indivíduos de todas as denominações evangélicas e protestantes. A pessoa diz-se crente, membro de qualquer igreja de qualquer grupo, pode tomar a ceia em qualquer igreja de qualquer grupo. É a fraternidade generalizada. Vamos desmontar barreiras? Já foram os tempos das restrições?O mundo hoje é outro. Precisamos nos unir. Se somos irmãos em Cristo, filhos de mesmo Pai,que beleza!, vamos todos demãozinhas dadas, comungar da ceia porque a ceia é do Senhor. Se a ceia é do Senhor e se todos os crentes são filhos desse mesmo Senhor por que muros e normas restritivas?

Esse fraseado do nosso Dulçor interpreta o pensamento de todos os favoráveis à ceia aberta ou livre.

Estará o Dulçor com a razão?

Não seria a hora de relermos e repensarmos também as referências bíblicas sobre o Instituto Memorativo de Cristo? Quem sabe se nossos antepassados foram vítimas de um entendimento falso nessa matéria?

Na época das reaberturas convém sermos mentes abertas em tudo. É a atual disposição generalizada. E se a alguém recusa semelhante abertura os abertos e condiscípulos do Dulçor se arreganham de escândalos, de ahs!, e ohs!, e avaliam o opositor à ceia aberta na condição de um fora-de-época, radical, ultrapassado, troglodita. Onde já se viu restringir-se a ceia do Senhor? se é do Senhor quem poderá impedir que crentes dela participem? É do Senhor! Não é de denominação alguma!


OS MOTIVOS DA ABERTURA ? Já os tenho pesquisado. Muitos adotam a prática indiscriminada da Ceia por terem ouvido essa opinião de algum pregador envolvido por idéias ecumenistas e mundanistas. Muitos, a maioria esmagadora dos evangélicos, também batistas, só conhecem das Escrituras aquilo que aprendem por intermédio de pregadores. E assim mesmo quase sempre entendem mal aquilo que foi dito.

Não quero me opor à consideração e ao acatamento da mensagem do pregador. Se ele os merece por se fundamentar na Palavra de Deus. Afinal, esta é a nossa superior instância e a nossa última e decisiva autoridade.

E bato no ponto! O real motivo de alguém adotar a Ceia aberta é igonrância das Escrituras. Nem me passa pela cabeça a hipótese de alguém conhecer de verdade a Bíblica e aceitar semelhante prática. Seria o cúmulo do cinismo. A menos que esse indivíduo, embora conhecedor do Livro Santo, permenecesse na incredulidade.

É espantoso e estarrecedor o número reduzidíddimo de pessoas estudiosas das Escrituras e que sabem de primeira mão os seus ensinos acerca dessa Ordenança e das instruções sobre os requisitos para sua prática. Os nossos seminários pelo acúmulo de matérias que querem ?ensinar? embaraçam e dificultam seus alunos de estudar a Palavra de Deus. Já me perguntaram: já no seminário católico não se estuda a Bíblia? Respondo com outra pergunta: e nos seminários evangélicos hoje se a estuda? E a conseqüência trágica é inevitável: a maioria das pregações se reduzem a um amontoada de palavras e frases que nada dizem na apresentação das célebres ilustrações e ?causos?, as idiotas experiências. Ou são sermões moralistas, exortativos, como se o pregador fosse um sargentão eclesiástico ou são um enxurro de lorotas?

De Bíblia nada têm? o povo entrou vazio e mais vazio saiu. O Culto é um mero programa de músicas quase sempre pessimanete apresentadas e uma seqüência horrorosa de avisos e recados, enquanto as imediações do templo viraram um parque de diversões onde a criançada brinca à solta e os casaizinhos curtem o encosta-encosta dos namoricos lascivos. Quem quer parar ali e estudar de verdade a Palavra de Deus? Quem se dedica diariamente ao estudo sério do Livro Santo?

Essa gente toda aprecia qualquer Dulçor e, conquanto inconscientemente, entroniza a palavra e o comportamento dele no lugar da Bíblia.

Desses superficiais tenho ouvido os maiores disparates também quanto ao tema destas nossas reflexões.

Essa ignorância lastimavelmente impera também entre os que advogam a restrição dos participantes da Mesa do Senhor. Perguntei a um Pastor, por sinal professor de teologia num seminário, quais os motivos de sua Igreja adotar essa limitação. Deixou-me boquiaberto sua resposta! Por ser uma praxe batista.


A SENTENÇA DO PASTOR GORDALHUFO ? Noutro dia uma senhora, indo a uma programa pentecostalista, recusou se a participar da ceia na oportunidade celebrada. Relatou o incidente ao marido. Este aborrecido, recriminou-a. Dias seguintes ambos se encontra com o Pastor. O cidadão simpático à ceia ecumênica relatou-lhe o fato. E o pastor Gordalhufo, jejuno das Escrituras, embora seja valente garfo de derrubar montanhas de comida, saiu-se com esta: a irmã fez muito mal. Lá no Céu não há batistas, pentecostais, presbiterianos? Lá todos participaremos juntos da Ceia, por que não já aqui na terra?

Soube do ocorrido o Azambuja. Quem não conhece o Azambuja? É desses crentes agarrados com entusiasmo ao estudo das Escrituras. Ninguém o passa ?pra trás?. Não é qualquer pregaçãozinha que o satisfaz. Abomina essas conversinhas de ?a minha experiência?, ?o senhor me falou?? Tudo ele confere com as Escrituras. E como as conhece! Sabendo dessa ?explicação? do Pastor Gordalhufo, o Azambuja ficou furioso. Deu uma de Paulo Apóstolo que se ?perturbou? com as exclamações daquela mulher possessa do demônio lá de Filipos. Perturbado o Azambuja deu aquela lição de moral no Pastor Gordalhufo. (Niguém estranha esse nome da Calota). O Azambuja está com toda a razão. E explico!

Dentre outros, por dois motivos o Pastor Gordalhufo emitiu uma sentença errada porque contraditória à vista das Sagradas Escrituras. Primeiro, porque lá no Céu contemplaremos face a face o nosso Salvador. Nossos olhos verão Suas Chagas, Suas Mãos e Pés feridos. Por conseguinte não haverá mais necessidade do Memorial. A Ceia não é a memória ou lembrança dos padecimentos de Cristo? Agora Ele está ausente e nós haverá qualquer Ordenança e nem cerimônia eclesiástica. Segundo, a Ordenança Memorial consoante as palavras do próprio Salvador, deve durar ?até que Ele venha?. Em vindo o Redentor encerrou-se o período da vigência de sua celebração.

A talho de foice elimino um sofisma. Não foi à Ceia Memorial que Jesus aludiu quando disse: ?Desejei muito comer convosco esta Páscoa, antes que padeça: porque vos digo que não a comerei mais até que ela se cumpra no Reino de Deus? (Lc.22:15-16). É claríssima a referência à ceia da antiga Páscoa, por conseguinte, esta afirmação de Jesus desautoriza qualquer ficção de alguma cerimônia ritual desta terra a ser continuada no Céu.

De igual maneira não foi mencionada a Ceia Memorativa quando Ele disse ao tomar o cálice: ?Tomai-o, e reparti-o entre vós; porque vos digo que agora não beberei mais de fruto da videira até que venha o Reino de Deus? (Lc.22:17-18). Disse-o à uma das quatro taças da Páscoa e não ao cálice da Ceia Memorial mencionada somente depois de dois versículos.

Graças a Deus pelo registro mais pormenorizado de Lucas. Se tivéssemos só as abreviadas narrativas de Mateus e de Marcos poderíamos correr o risco de alguma perplexidade. Lucas, porém, esclarece que a alusão ao comer a Páscoa e ao beber do fruto da videira se referem ao simbolismo da maior Festa Judaica, sendo por esse motivo proferida antes da fundação da Ceia do Senhor.

Nos Céus ninguém vai comer coisa alguma. E o Reino de Deus não consiste no comer. E no beber? (Rm.14:17). As Escrituras quando assemelham o Céu a banquetes e a festas não querem dizer que lá literalmente teremos banquetes e festas de comes-e-bebes. Trata-se de figuras ou símbolos do gozo celestial. Elas jamais autorizam a suposição de na Bem-aventurança Eterna se repetir a realização do Instituto Comemorativo.


ELES TAMBÉM SÃO RESTRITOS ? Antes de aludir a eles, menciono os Pastores George Lewis, Dean McClure e James Nash por serem notáveis estudiosos das Escrituras. Às vezes passam juntos muitas horas no estudo de um só versículo. Ultimamente eles têm se esmerado no exame meticuloso sobre a Cerimônia Anamnésica.

Num dessas seus estudos o Pastor James Nash lembra que atuais defensores da ceia livre se recusam a participar dela quando celebrada nos doutrinária, eles reconhecem que somente uma igreja tem a incumbência e a autoridade de efetuá-la. E não uma conferência e a autoridade de efetuá-las. E não uma conferência ecumênica. Já é uma limitação.

O Pastor Nash ainda lembra que a própria religião católica impõe severas restrições à participação da ?missa?. Com efeito, não é qualquer um que pode receber a ?comunhão?. Queria ver o Pastor Gordalhufo apresentar-se à mesa eucarística romana. E se o nosso Dulçor pretendesse fazê-lo levaria, para horror de sua macieza, uma tremenda descompostura do ?vigário?.

A religião luterana de sua parte arroga-se à exclusiva autoridade de celebrar o ?sacramento? da ceia. Os presbiterianos defendem a autoridade de sua igreja nesse ritual. E o Pastor Nash recomenda a leituras do livro TRILEMA ? ALL HUMAN CHURCHES WITHONT BAPTISM, de J. R. Graves, onde se lê que a igreja presbiteriana, num gesto de apertadíssima restrição no passado distribuía fichas aos seus membros julgados dignos pelo seu conselho de participarem da ceia.

Todas essas religiões e seitas admitem que só a Igreja tem poder de realizá-la. Restringem ou selecionam os seus partícipes. Não abrem assentos para pessoas de todos os credos oi de nenhum credo. Afinal já é uma delimitação. Contudo se insurgem contra os advogados da mais apertada.


,, VIVA O RESPEITO A TODAS AS OPINIÕES!!! ? Aprecio respeitar as opiniões alheias. Se as circunstâncias me facultam o ensejo ouço sem desaprovar as considerações e os ?palpites? marcas de automóveis, explicação de endereços remédios, tratamento de doenças. Diabruras de crianças das pessoas que nunca têm tempo para coisas mais sérias. Nesses e em outros muitos assuntos ouço e acato todas as opiniões porque pessoalmente não tenho opiniões sobre eles. Qualquer uma me serve.

É o caso daquele indivíduo. Visita-o um amigo e lhe externa sua convicção acerca de determinado assunto corriqueiro. O cidadão concorda. Despede-se e retira-se esse primeiro visitante. Chega outro. Expõe-lhe acerca da mesma tese uma opinião segundo ponto-de-vista contrário ao primeiro interlocutor. Ao se retirar esta segunda visita, a filha que a tudo presenciara, diz: papai, chegou o fulano e disse tudo aquilo e o senhor lhe disse que ele tinha razão. Vem agora este e fala tudo ao contrário daquele primeiro e o senhor diz que também ele tem razão. Afinal, papai!?

Minha filha, você também tem razão!!!

Está tudo bem! Todos têm razão em todas as coisas? Destarte não sou contra, nem a favor, muito pelo contrario?

Agora, naquilo que afeta a Palavra de Deus? Aí não! A coisa muda.

Já me disseram! Os amiguinhos do Dulçor. Lá nos Estados unidos já há três milhões de batistas ecumênicos e quase todas as igrejas batistas praticam a ceia livre. E daí? Pode haver trinta milhões? Trezentos milhões! Minha regra de fé é a Bíblia e não os milhões ou trilhões de ecumenistas de qualquer país. Também no tocante à Solenidade Memorativa anelo ser tão restrito quanto a Bíblia. Quero dela participar nas condições sem que nosso Senhor Jesus Cristo a instituiu e a ordenou fosse celebrada e às Igrejas por intermédio dos Apóstolos entregou. Sem lhe acrescentar um jota e sem lhe subtrair um til. Jonathan Edwards deixou em seu diário este pensamento: ?Resolvo acima de tudo viver cada dia inteiramente para Deus. Resolvo também viver assim ainda que ninguém mais no mundo o faça?. De fato, o caminho estreito e a porta apertada são para bem poucos.

Vamos verificar as Sagradas Escrituras a respeito dos participantes da Mesa do Senhor? Porventura estarão certos o Dulçor e seus condiscípulos? Ou as Escrituras estabelecem restrições? Acaso limitam sua participação a definidas qualificações?

Realmente, se a Ceia é do Senhor, compete-lhe a autoridade de estabelecer restrições aos seus possíveis participantes. Na eventualidade de a mesa ser minha, convido quem eu quero e ninguém tem nada com isso. Na Ceia Memorial a Mesa é do Senhor Jesus Cristo. Cabe-lhe. Por conseguinte, toso o direito de impor condições aos desejosos de participar dela.

As Escrituras do Novo Testamento não apresentam nenhum argumento ou critério em prol da ceia livre. Esta se baseia apenas em falsos sentimentos, que jamais poderão nortear nossa conduta e inspirar nossa fé.

Deixo de lado todo o sentimentalismo e toda a pieguice e examino a Palavra de Deus onde me deparo com as seguintes delimitações a serem examinadas nos capítulos subseqüentes quanto aos participantes da Ceia do Senhor, o Doce e Inefável Memorial de Sua Morte por mim.

O Pastor Jonas de Carvalho Lisboa, há muitos anos à frente do Pastorado da Igreja Batista em Cordovil, Rio de Janeiro, se destaca pela seriedade de conduta e fidelidade retilínea à Sã Doutrina na Palavra de Deus. De muitos sermões, que são autênticos estudos profundos, ele faz esboço ricamente recheado. Presenteou-me alguns, que têm sido objeto de minhas meditações.

Em sua pregação sobre A CEIA RESTRITA sublinha estas sábias coerentes considerações: ?A Ceia do Senhor não é uma ceia comum; isto é, ela não é para todos e nem todos tem o direito de torná-la acessível a todos, porque ela não é nossa, mas do Senhor. E é o Senhor que impõe as condições para que dela se participe?. Autor: Aníbal Pereira dos Reis - ex-sacerdote Católico Romano
Digitação: Sabyrna Santos e David C. Gardner 12/2008
Fonte: www.PalavraPrudente.com.br