Igreja Batista

Boa Esperança

OS PARTICIPANTES DA MESA DO SENHOR - LIMITADA AOS MEMBROS DA IGREJA

Fonte : Aníbal Pereira dos Reis - ex-sacerdote Católico Romano
Data : 24/10/2011

A Ceia do Senhor: Livre ou Restrita?


OS PARTICIPANTES DA MESA DO SENHOR - LIMITADA AOS MEMBROS DA IGREJA


EM SENDO a participação à Mesa de Senhor restrita à membresia da Igreja local celebrante, é evidente que se delimita aos crentes evangélicos evangelicamente batizados e convictos da natureza memorial da Ordenança isenta de quaisquer resquícios sacramentistas. Frise-se de novo ? só é a Igreja verdadeira a formada de crentes batizados nas condições evangélicas. Os nela arrolados sem a legítima experiência de conversão ou sem o genuíno Batismo, na verdade dela não fazem parte. E os que na Ceia do Senhor não crêem segundo os registros das Escrituras, conquanto possam ter se convertido e sido legitimamente batizados, se dela participam, fazem-no ?indignamente?.

No tocante à delimitação aos membros da Igreja local no concernente à participação do Instituto Memorativo, enfileirarei alguns motivos incontestáveis ao bom senso, à inteligência e à Palavra de Deus. Decorrem eles da sua própria natureza eclesial.


1)- No Cristianismo biblicamente organizado, a Igrejas locais (perdão pelo pleonasmo ou tautologia!) são por nosso Senhor Jesus Cristo de postarias de sagrados valores os quais para elas devem ser impostergáveis. A pregação do Evangelho é um desses valores (Mt.28:19-20). Também a sustentação da pureza e da integridade da Sã Doutrina pois ela é a ?coluna e esteio da Verdade? (I Tm.3:15). E ainda observância e preservação das Ordenanças Sagradas = Batismo e Ceia Memorial (Mt.28:19-20; At.2:41-42; I Cor.11;17-34).

Falhará a Igreja se preterir a guarda e a preservação de algum desses valores.

A ênfase dada à pregação no intuito de semear a Palavra de Deus ao mundo perdido é excelente obra. Todavia, se alvejando quantidade, sacrifica-se a integridade da Sã Doutrina, trai-se o Evangelho por desvalorizá-lo.

As Escrituras tanto insistem no separarem-se do mundo os crentes. Em nossos dias, entanto, os mais cuidadosos se contentam em evitar alguns vícios grosseiros e a aproximação de algumas festas carnais. Em nada lhes preocupa a filosofia ou mentalidade do mundo. Aceitam sem qualquer questionamento a onda socializante, deixam-se conduzir por simpatias pessoais e se encantam pelo porte atlético ou bela voz do pregador.

Em matéria de fé suas normas lhes chegam de segunda mão. Suas convicções não suportam uma análise à luz das Escrituras. Fazem algo porque todo mundo faz. É a praxe! Fazem porque o pregador tal assim disse.

Se ao embalo socializante pentecostalista conhece igrejas que praticam a ceia aberta, para eles o certo é a ceia aberta. Se lhes disseram que só os ?membros de Igreja da mesma fé e ordem? podem tomar a Ceia, então só os batistas de Igreja ligadas ao seu grupo estão autorizados a dela se aproximarem.

Ah!, mas é o costume! Eu sempre aprendi e vi assim!

O cidadão sempre ouviu? É a praxe! O próprio presidente da solenidade já se habituou? Nunca parou para pensar? É da rotina de toda Ceia: somente podem participar da Ceia os membros das Igrejas co-irmãs, da mesma fé e ordem?

Sempre repete a frase ritual? À imitação do papagaio? Até sem refletir e entender o sentido da expressão: Igrejas da mesma fé e ordem?

Já presenciei um debate numa reunião de pastores. Se as Igrejas ligadas a outros grupos batistas são da mesma fé e ordem e se, nesse caso, seus membros podem se sentar conosco à Mesa do Senhor.

Discutiu-se, discutiram-se tantos minutos? e o assunto ficou ?sobre a mesa?.

O costume não prova nada! O costume não forma a Verdade! Minha Regra de Fé são as Sagradas letras e não o costume. Se me acostumo com algo contrário à Palavra de Seus, devo abandoná-lo.

E por falar em costume? Contraiu-se o hábito de se identificar o nome batista com a convenção Batista Brasileira. Se não for da Convenção Batista Brasileira. Se não for da convenção não é genuinamente batista. Pois bem, essa idéia é que não é batista?

Há outros grupos ou associações de Igrejas Batistas. E há Igrejas Batistas por completo desligadas de qualquer grupo. De resto, nos Estados Unidos estas Igrejas Totalmente independentes são mais numerosas e mais poderosas. E são genuinamente batistas.

Alastra-se em Igreja a ela ligadas, ou melhor, entre pastores de pouca ou nenhuma cultura bíblica, a idéia da ceia ampla em base naqueles inconsistentes motivos já nossos conhecidos. Apresentou-se assunto numa das últimas assembléias da referida Convenção Brasileira. Por ser ainda explosivo os do ?deixa pra lá? decidiram conservá-lo ?sobre a mesa?, ou seja, para outra ocasião no futuro.

Ora, esse é um assunto fora de qualquer discussão. É matéria definida pelas Escrituras. Não compete á convenção debatê-lo. Nem julgá-lo. Não será uma maioria de convencionais ignorantes da Bíblia, se isto ocorresse que se constituirá em minha norma de fé e prática.

Os responsáveis pela Convenção Batista Brasileira, conhecedores das Escrituras e a elas fiéis, como admito, nem aceitarão semelhante proposta de se discutir o assunto. E já se imaginou se surgir a proposta de se debater em assembléia dita Convenção acerca do Sacrifício Substitucionário de Cristo? Ou da Divindade do Salvador?

À luz das Sagradas Escrituras, conquanto se contrariem românticas idéias, a Ceia do Senhor não é encontro social, não é um instante de confraternização, não é oportunidade de troca de gentilezas, não é senha de identificação denominacional.

Nosso Senhor Jesus Cristo não confiou a Sua Ceia Memorativa a nenhuma denominação e muito menos à Convenção Batista Brasileira ou à Associação das Igrejas Batistas Regulares ou a qualquer outro grupo batista ou evangélico.

Entregou-a à Igreja local para ser por ela observada e em ajuntamento dela. Este é o princípio bíblico e exercitado pelos legítimos, verdadeiros, genuínos, lídimos, puros batistas.

Nas Escrituras do Novo Testamento não há nenhuma determinação, nem mesma exemplo, para a Ceia entre membros de várias Igrejas.

Vemo-la celebrada logo nas primeiras semanas após o Pentecostes pela e na Igreja em Jerusalém na capacitação de Igreja. Aqueles que se ?agregaram? dela recebiam a qualificação de participar do ?partir do pão?. E a Igreja local (Atos 2:41-42).

2)- Em nada me afetam os costumes e as opiniões alheias se colidem elas ou eles com a Palavra de Deus.

Vamos ao nosso Infalível Tribunal de Única Instância! As Escrituras.

Abro-as no Texto clássico do nosso tema. I Cor.11.17-34!

Foi escrito antes de qualquer dos quatro Evangelhos e dos Atos dos Apóstolos. É a mais antiga narrativa e interpretação da Ceia.

No v.23 deparo-me com uma solene afirmação do Escritor: ?Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei??

As convicções do Apóstolo não lhe chegaram de segunda mão. Ele não é inferior aos demais Apóstolos: ?julgo que em nada tenho sido inferior aos mais excelentes Apóstolos? (II Cor.11:5).

Paulo, testemunha ocular e auricular de Cristo Ressuscitado, é o autorizado implantador e doutrinador do Cristianismo entre a gentilidade. É o Apóstolo ?não da parte dos homens, nem por intermédio de homem algum? (Gl.1:1). Não de segunda mão! O Evangelho por ele anunciado também não é de segunda mão, ?não é segundo os homens?. Ele não o recebeu de homem algum e nem lhe foi ensinado por quem quer que seja. Recebeu-o, isto sim ?por revelação de Jesus Cristo? (Gl.1:11,12; I Cor.15:3).

O Evangelho, todo o Evangelho, o Evangelho em bloco é sumamente importante. Importantíssimo em seu todo. Paulo Apóstolo recebeu-o todo, em bloco, diretamente de nosso Senhor Jesus Cristo.

Por Elegê-lo Apóstolo nosso Senhor revelou-lhe diretamente, sem quaisquer intermediações dos Apóstolos anteriores, o Evangelho inteiro.

Jesus Cristo, porém, singularizou um assunto numa direta revelação especial. Se todo o Evangelho é importante, este assunto particular também é de suma importância. Importância especialíssima. Diferençada e distinguida com uma revelação reservada, específica, especial. Esse assunto é a CEIA MEMORIAL.

Já ouvi! Um horror! Ouvi alguém dizer que a Ceia é coisa irrelevante. O que importa é crer no Evangelho para a salvação e cada qual a aceita como considera razoável e participa dela como quer e onde quer. Essa idéia é blasfema e injuriosa a Deus.

Se Deus atribui semelhante distinção de uma revelação especial à sua Mesa Memorativa poderemos nós cuidar dela com displicência? Se Jesus Cristo lhe dedicou desvelo específico vamos nós tê-la como irrelevante?

?Porque eu recebei do Senhor o que também vos entreguei?? (v.23). A Ceia do Senhor cuja instituição Paulo pormenoriza nos versículos subseqüentes.

?? recebi do Senhor o que também vos entreguei?? (v.23).

Entregou a quem? A uma denominação? A uma casta clerical? A uma igreja chamada nacional? À suposta igreja universal? A um indivíduo particular?

Por denominação entendo um grupo ou corpo organizado de igrejas identificadas por doutrinas ou interpretações bíblicas definidas e normas e práticas de culto próprias. As Ordenanças não foram confiadas a uma denominação porquanto a diversidade das denominações nem exista nos tempos Apostólicos.

Paulo se dirige aos crentes membros de uma Igreja. A uma das muitas Igrejas já existentes. À Igreja de Corinto (I Cor.1:2).

Dirigindo-se à uma Igreja específica ele adota os verbos no plural por ser cada Igreja uma coletividade, uma corporação. Escrevendo a uma determinada Igreja local, minúcia seus problemas próprios, repreende, exorta, aconselha e ensina.

A Igreja é uma assembléia de pessoas regeneradas. São os crentes que se congregam, que se reúnem, que se ajuntam com o objetivo específico de, na qualidade de crentes, de salvos, cultivar a vida espiritual na adoração comunitária a Deus, no louvo através de Cânticos, da leitura e explanações das Escrituras e das orações, na celebração da Sagrada Ordenança da Mesa Memorial.

O primeiro ensino do Apóstolo concernente à Ceia nesse texto clássico sobre ela I Cor.11:17-34, instrução repetida nada menos de dez vezes só nessa passagem, é que é um ato coletivo, congregacional, do qual participam os membros e somente os membros da Igreja celebrante, pois não foi ela instituída para fins sectários.

Essa congregação reunida não é qualquer assembléia ou agrupamento de crentes. Não é presbitério, sínodo, concílio, convenção, congresso. É sim ato congregacional quando os crentes se ajuntam na Igreja (I Cor.11:18). É ato da Igreja congregada em ato cultual. ?Portanto, meus irmãos, quando vos ajuntais para comer?, realça o Apóstolo, ?esperai uns pelos outros? (I Cor.11:33).

Seria inadmissível supor-se a espera de uns pelos outros se a Ceia fosse dada a uma denominação. Este mandato do Apóstolo assinala da Mesa do Senhor à membresia da Igreja oficiante.


3)- Duas são as Ordenanças instituídas por Cristo e entregues através dos Apóstolo, os Órgãos da Revelação do Novo Testamento, às Igrejas que as devem preservar e observar: O Batismo e a Ceia do Senhor.

Uma pergunta!

A administração do Batismo é da alçada e competência de alguma denominação? De algum clero? Ou da igreja?

A resposta é patente. Incontrovertível!

A Ordenança do Batismo é da atribuição e da responsabilidade exclusiva da Igreja congregacional.

Os clérigos, sempre avessos e insubmissos à Palavra de Deus, ?batizam? com o seu canequinho, lá no interior do ?batistério? (= aquele quartinho ao lado da porta de entrada do templo, em cujo centro se ergue sobre uma coluna a pia batismal, que é uma bacia de mármore ou de granito tão pequena que não possibilita dar-se um banho num nenê). ?Lá escondidos, na presença de um reduzido grupo composto dos pais e ?padrinhos? e às vezes um ou outro curioso, os clérigos, em nome da hierarquia identificada como ?igreja?, batizam?. v Segundo as Escrituras, contudo o Batismo é ato congregacional. Dá-se pela autoridade da Igreja, em assembléia reunida Igreja que ouve e recebe a profissão de fé do candidato. É essa Igreja local que ao julgar vota pela aceitação ou recusa do candidato ao Batismo.

Nenhuma descortesia para membros de outras Igrejas co-irmãs por acaso presentes por se lhes recusar a participação na votação.

Já preguei em muitas Igrejas que no Culto de minha ativa participação como pregador ocorreu a assembléia extraordinária para exame de candidatos ao Batismo e sua celebração. Sem qualquer constrangimento de minha parte, sem me sentir desprezado, simplesmente assisti à solenidade não participando dela por me faltar a condição de ser membro dessas Igrejas.

Se a Ordenança do Batismo é restrita aos membros de cada Igreja por que ser diferente em relação à Ordenança Memorativa?

Já sei! É a objeção! Mas, dizemos os da denominacionalização da Ceia, nós reconhecemos o Batismo de uma Igreja co-irmã quando da transferência de seus membros para outras Igrejas.

É verdade! Todavia onde o problema? A objeção?

Explico com o maior desembaraço essa almejada objeção. Por sua própria natureza o Batismo verdadeiramente evangélico é administrado apenas uma vez para cada crente. E a Ceia do Senhor deve ser observada por cada crente repetidas vezes até à volta de Jesus Cristo.

O Azambuja exaltou-s outra vez. Em contestação da autoridade da Igreja local quanto ao Batismo lembraram-lhe que João o Batista batizava sem a autoridade de uma Igreja.

Já um milhão de vezes recomendou calma ao Azambuja. Quem estuda a Palavra de Deus e anela ser-lhe fiel precisa armar-se de paciência infinita quando ouve as sandices dos idiotas que ignoram as Escrituras e embaralham aquele pouco que delas ouviram ou leram.

E essa é objeção a ser levantada?!

Acalmaram-se Azambuja e explicou ao insensato objetante. João o Batista batizou isoladamente de qualquer Igreja simplesmente por Jesus Cristo ainda não haver fundado a primeira Igreja.

Batizou, sim, sem autorização ou sem ser em nome de uma Igreja, mas dadas a circunstâncias especiais ele batizou sob direta Autoridade Divina. Ele foi aquele ?um homem enviado por Deus?, Deus que o ?enviou a batizar em água? (Jo.1:6,33). Além de João o Batista quem mais foi investido desse múnus especial?

A suposta objeção se desfaz ainda com outro sólido argumento. Uma Igreja é composta de quem? De pessoas salvas biblicamente batizadas, ou seja, batizadas sob profissão de fé. E Jesus cristo iria organizar a primeira Igreja se antes disso ninguém fosse batizado? Portanto, João o Batista preparou sob divina Autoridade a matéria prima da primeira Igreja organizada por nosso Senhor.

O gesto de Filipe ao batizar o ministro de finanças da Rainha Candace decorre de ser ele na qualidade de evangelista integrante do ministério oficial destinado a implantar o Cristianismo em toda a Palestina. Em Damasco, outrossim, havia uma comunidade cristã. Do contrário Saulo de Tarso não se deixaria seguir de uma companhia. Se fosse só para prender um ou dois indivíduos teria ido apenas um ou dois soldados. Seguramente Ananias era presbítero a serviço da congregação em Damasco e ao batizar Paulo fê-lo em função e sob a autoridade da Igreja.

O Azambuja pode se perturbar quando ouve os absurdos procedentes de gente jejuna das Escrituras. Acalmando-se põem deixa fluir sua argumentação sólida de quem estuda de verdade a Palavra de Deus e usa os miolos do seu notável intelecto.

Há mais! Em assunto de menor monta sua discussão, estudo, votação se restringem com exclusividade aos membros de determinada Igreja. No caso da aquisição de um terreno ou do aumento do salário pastoral, por exemplo, somente os membros da Igreja participam das sessões do estudo e debates da questão. Em nenhum membro de qualquer outra Igreja ocasionalmente presente se sentirá melindrado já ocasionalmente presente se sentira melindrado por ter sua votação barrada.

Se em assuntos de menor importância em relação è Ceia há as próprias e naturais delimitações, por que franquear a Mesa do Senhor?


4)- Paulo Apóstolo figura a Igreja ao corpo, ao edifício, à lavoura, à coluna. E ao PÃO. Pão que Jesus às vezes também se assemelha.

A leitura cuidadosa dos textos onde surge a figura nos demonstra quem é o figurado: a Igreja ou Jesus.

Se em I Cor.10:16 o Apóstolo compara o Corpo de Cristo ao pão, no versículo seguinte aplica a figura á Igreja: ?Pois nós, embora muitos, somos um só pão, um só corpo; porque todos participamos de um mesmo pão?.

Releva notar-se o assunto discutido por Paulo nesta passagem. Ele trata exata e especificamente da Ceia do Senhor. E tratando da Ceia do Senhor apresenta a Igreja na semelhança de ?um só pão?.

Ele não diz: embora muitos, somos pão, somo corpo. Especificando, singularizando, afirma assim: ?somos UM SÓ PÃO, UM SÓ CORPO? no objetivo de destacar a unidade da Igreja local celebrante da Ceia do Senhor, pois cada Igreja é uma unidade da Ceia do Senhor, pois cada Igreja é uma unidade em si mesma, separada e à parte das outras Igrejas. Unidade essa simbolizada em um só pão inteiro.

Sob todos os enfoques a figura é de rara felicidade. O pão é fabricado de muitos grãos que triturados e esfarinhados o compõem. Apesar de muitos, os grãos são da mesma espécie. ?Um só pão?, símbolo de uma só Igreja, a Igreja local de Corinto, composta de muitos elementos, os quais na sua diversidade numérica, são todos da mesma espécie de pessoas regeneradas e salvas, santificadas em Cristo.

Rememoremos! Paulo Apóstolo está escrevendo a uma determinada Igreja. A uma Igreja congregacional local. Especificamente à Igreja de Corinto. Nem de longe ao longo de suas duas Epístolas aos Coríntios ele alude á ambicionada igreja universal, invisível, que não passa de uma abstração.

Logo no início de sua Primeira Epístola recrimina seus destinatários, menciona e profliga-lhes as divisões e dissidências internas. Ao tratar da Ceia do Senhor no capítulo 11 recrimina outra fez suas dissensões e os exorta è unidade porque reunidos na condição de Igreja são eles ?um só pão, um só corpo?.

O Pastor Nash, com sua acuidade característica de estudioso das Escrituras, na sua infrangível coerência perante a Sã doutrina, advoga a participação à mesa do Senhor somente pelos membros da Igreja sua celebrante. E ao estudar este irretorquível argumento do simbolismo da unidade da Igreja local como ?um só pão?, tendo em mente as dificuldades dos crentes da Igreja em Corinto, o Pastor James Nash observa: ?Unidade numa igreja já é difícil, mas unidade numa denominação? Quase impossível. Unidade com todos os crentes, seja qual for a denominação, é IMPOSSÍVEL!!! Absolutamente impossível. Se ocorresse extinguir-se-iam as denominações?

A conclusão é inarredável! As muitas denominações denotam as divisões doutrinárias. Se não houvesse estas, inexistiriam aquelas. A conseqüência flui com lógica irrefragável: em sendo em sua unidade a Igreja ?um só pão?, a Ceia livre de si mesma desta figura.

Entre os Batistas ligados a Igrejas vinculadas à Convenção Batista Brasileiro também há tentas divergências. Há os que negam a perseverança eterna dos salvos. Há os de tendência interdenominacionalista fazendo tabula rasa dos fundamentais postulados batistas, há os pentecostalizados, há os ecumenistizados, há os neomodernistas?

Em se adotando a ceia aberta para os membros de todas ?as Igrejas da mesma fé e ordem?, toda essa gente dela participaria. Está, por conseguinte, anulada a figura de ?um só pão? empregada por Paulo à Igreja local oficiante da Solenidade Memorativa.

Que Chame de ULTRA-ESTRITA a Ceia por limitar sua participação exclusivamente à membresia da Igreja celebrante. A figura de ?um só pão? também é ULTRA-RESTRITA.

5)- Do v.22 de I Cor.11 infere-se outra razão assaz forte em abono da Ceia Ultra-Restrita.

Àqueles coríntios comilões e beberrões que abusavam da Mesa do Senhor, Paulo Apóstolo, a admoestá-los, pergunta: ?ou desprezais a Igreja de Deus??

A Igreja, não uma denominação ou um grupo evangélico. E sim Igreja local no ato congregacional da Ceia. Se ato congregacional só podem fazer parte dele os da congregação.

Os coríntios insubordinados com sua devassidão durante a Ceia desprezavam a Igreja da qual faziam parte.


6)- Considero este último argumento de nossas reflexões a palavra definitiva em prol da CEIA ULTA-RESTRITA.

É o argumento da DISCIPLINA.

A Igreja, uma Igreja local só pode permitir a Ceia ás pessoas ás qual pode atingir o seu poder disciplinar.

a)- O governar se efetiva mediante quatro funções: a legislativa, a executiva, a judicial e a repressiva.

Uma Igreja Bíblica do Cristianismo biblicamente organizado é um governo. Senão seria discordem e confusão. O regime democrático, alheio à anarquia, pelo qual se regem as Igrejas, autênticas corporações mutuamente autônomas e independentes, se exercita com a ordem e a decência (I Cor.14:40).

A função legislativa é do múnus exclusivo do soberano Rei da Igreja, nosso Senhor Jesus Cristo. Nas Escrituras Sagradas encontram-se os Seus princípios doutrinários e as Suas leis são indiscutíveis. Se ao me converter, em obediência plena, encaminho-me para uma Igreja Bíblica, devo incondicionalmente submeter-me ao Senhorio de Jesus Cristo, o Supremo Legislador da Igreja.

Perante os ensinamentos de a Escritura impossível tergiversarem. ?Mandamos-vos. Irmãos, e nome do Senhor Jesus Cristo?, vigoroso, admoesta o Apóstolo, ?que vos aparteis de todo irmão que anda desordenadamente, e não segundo a tradição? (ensino) ?que de nós recebeste? (II Ts.3:6). Ainda aos Romanos: ?Rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a Doutrina que aprendestes; desviai-vos deles? (16:17).

b)- Atribuem-se às Igrejas as funções executiva e judicial no objetivo de se cumprirem os preceitos e de se seguir a Doutrina do Senhor.

Se frustrada a advertência em particular e se vã a exortação perante testemunhas, o faltosos contumaz deve ser julgado pela Igreja e, conforme o caso e a situação, excluído (Mt.18:15-18).

Ora, se o mundo e os anjos hão de ser julgados pelos crentes, o juízo entre os próprios crentes, com maior razão ainda, compete á Igreja (I Cor.6:1-6).

A função judicial compete á Igreja na sua capacidade congregacional a principiar do julgamento dos candidatos ao Batismo. Ela os examina e os expões à votação.

Na sua capacitação de julgar, a Igreja é juiz de seus membros, por ela, quando do Batismo, em d seus membros, por ela, quando do Batismo, em julgamento ou por carta de transferência também submetida a voto de julgamento. Este juízo disciplinar é da gravíssima responsabilidade de cada Igreja.

c)- Paulo Apóstolo exemplifica esta função governativa da Igreja exatamente ao mandar expulsar de seu seio um indivíduo a fim de impedi-lo comesse á Mesa do Senhor. ?já por carta vos escrevi que não vos comunicásseis com os que se prostituem; com isto não me referia á comunicação em geral com os devassos deste mundo, ou som os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idólatras; porque então vos seria necessário sair do mundo. Mas agora vos escrevo que não vos comuniqueis com aquele que, dizendo-se Irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com esse tal nem sequer comais. Pois, que me importa julgar os que estão de fora? Não julgais vós os que estão de dentro? Mas Deus julga os que estão de fora. Tirai esse iníquo do meio de vós? (I Cor.5:9-13).

A conclusão decorre sob lógica férrea! A participação da Ceia não pode ir além dos limites da capacidade de julgamento da Igreja, porque aplicar da disciplina não pode ultrapassar os limites da própria jurisdição da Igreja que se restringe aos seus próprios membros. Se ela consegue disciplinar seus próprios membros já cumpre de sobejo seu dever. Escapa-lhe a atribuição de julgar os de outras Igrejas.

Por conseguinte, a Ceia favorecida à membresia de outras igrejas co-irmãs fere por transtornar a autonomia e a independência das Igrejas, postulados neotesteamentários das Igrejas Bíblicas no Cristianismo Espiritual e Organizado.

A prática da ceia favorecida aos membros das ?Igrejas da mesma fé e ordem?, além de implicar em desrespeito à autonomia de cada Igreja, expões a dissolução de boa conduta dos crentes. Com efeito, que autoridade disciplinar para com seus próprios membros tem uma Igreja que favorece a Mesa do Senhor a elementos corrompidos, heréticos, modernistas, ecumenistas de outras igrejas?

Há Igrejas, é inegável, mal orientado por pastores comodistas e aburguesado. ?Inchados?, toleram tudo e todos os desmandos. Os devassos e heréticos são reconhecidos pelas pessoas das demais Igrejas. Nesse caso, se as Igreja zelosas da boa conduta e da fidelidade à Sã Doutrina por patê de sua membresia, admitem a participação à Ceia daqueles de Igrejas co-irmãs, essas Igrejas, embora zelosas, que autoridade terão para julgar e disciplinar seus próprios membros na eventualidade da procrastinação no erro?


As Escrituras nos conduzem à irrefragável porque lógica conclusão: A Ceia do Senhor somente pode ser celebrada em Culto de uma Igreja local para esse ato congregada. Todas as Igrejas ao examinarem. Livres de preconceitos e da força da rotina ou hábito, este aspecto da participação exclusiva de seus membros à Ceia, chegarão à conclusão de ser ela, a ultra-restrita, a conforme as Escrituras do Novo Testamento. A Mesa é do Senhor para obediência dos Seus em Igrejas Bíblicas como Ele, o Senhor, determinou!


Autor: Aníbal Pereira dos Reis - ex-sacerdote Católico Romano
Digitação: Sabyrna Santos e David C. Gardner 12/2008
Fonte: www.PalavraPrudente.com.br